“Elize – Sombras de uma mulher” – Crítica sobre o novo filme Netflix
Nesta quarta-feira 24 de Julho de 2026, estreou na Netflix o filme “Elize – Sombras de uma mulher” lançado pela Netflix. Estrelado por Lorena Comparato (como Elize repetindo a personagem que já interpretou em Tremembé) e Henrique Kimura (como Marcos Matsunaga), o longa é uma obra de ficção e suspense psicológico com roteiro de Raphael Montes e Mariana Torres.
A produção foca na história de como o casal se conheceu, no emocional caótico que viveram desde o começo e finda na deterioração do casamento e nos eventos que antecederam o assassinato do empresário em 2012.
Falando sobre as atuações, Lorena entrega uma Elize emocional, visceral, que talvez dentro de sua mente tenha tido motivos plausíveis para fazer o que faz, de acordo com aquilo que sabemos da história contada por ela. Há de se lembrar que sempre tivemos somente a visão de Elize desta história, então aquilo que vemos da intimidade de ambos como casal, se baseia em sua maioria no testemunho da própria Elize e fica o mistério de como aquilo poderia ser contado por Marcos.
Uma mulher com muitas camadas

A história de Elize é realmente digna de um enredo preparado para uma série ou filme, são camadas tão profundas, cicatrizes marcadas desde criança quando foi abusada pelo padrasto, ao seu passado como acompanhante, o relacionamento tóxico com Marcos e até o modus operandi do mesmo que, segundo a história, internou a primeira esposa e posteriormente planejava fazer o mesmo com Elize, antes criava um círculo vicioso onde se encatava por outras acompanhantes, dava os mesmos presentes, viagens e regalias, para no final jogar uma “culpa” na atual parceira, no caso Elize, para depois descartá-la.
Um casamento moldado a 300km por hora
Tudo aconteceu muito rápido entre o casal, os constantes encontros as escondidas quando Elize ainda era acompanhante, as promessas de amor, de que Marcos iria se divorciar, as viagens, os presentes caros e enfim um casamento que parecia um conto de fadas, mas tinha uma energia sombria que o carregava.
Desde sempre Elize era cobrada de dar um filho a Marcos, que por sua vez colocava essa responsabilidade em Elize e se isentava de acompanha-la em exames e achava que seu papel era somente sexual. Em paralelo dentro da mente de Elize a cobrança e a dor lutavam por um sonho que foi por água abaixo quando a mesma descobriu que Marcos ainda era viciado em sair com acompanhantes e mesmo assim, quis o destino que eles conseguissem realizar o sonho da maternidade.
Dali pra frente a história só vai numa velocidade desenfreada, quando mesmo após promessas de parar com as traições, Elize descobre que Marcos vivia num ciclo sem fim e estava tentando encontrar uma nova “Elize” em outras acompanhantes e seguindo a história contada pela mesma, chegou no seu ápice quando o confrontou e ele a agrediu, com isso e no limite, Elize o matou sem chance de defesa, esquartejou e se livrou do corpo por vários lugares, não antes de ainda tentar se passar por ele, tentando induzir um pensamento de que Marcos teria sido sequestrado ou ido embora, mas como não existe crime perfeito, Elize foi pega quando percebeu que não podia mais sustentar a história da esposa abandonada e confessou.

O efeito de romantização de crimes brasileiros
Como eu disse antes, a história de Elize é digna mesmo de uma produção, mas eu fico me perguntando o quanto mais precisamos de produções assim? O quanto histórias assim não afetam aqueles que viveram isso na vida real?
Já temos na mesma Netflix um documentário com a própria Elize contando sua versão, com depoimentos da polícia, jornalistas. Temos a série Tremembé que conta como foi sua vida dentro do presídio após sua condenação, e muitos outros materiais que mostram sempre essa mesma história.
Será que produções assim, de alguma forma não contam uma história mostrando que crimes assim compensam? Por que independente da condenação, hoje essas séries e filmes trazem um holofote aos criminosos que causaram dor a pessoas que perderam filhos, netos, pais… enfim. Será que precisamos de mais histórias super produzidas somente pela audiência e sadismo? Fica aqui a reflexão.
Esse texto reflete apenas minha opinião fique a vontade para deixar a sua nos comentários


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